Desde os anos 1810, os enciumados artistas portugueses estabelecidos no Rio de Janeiro, estão furiosos com a corte de D. João VI, pela convocação de uma Missão Artística Francesa para iniciar uma Academia de Belas-Artes no Brasil. O País é dos portugueses e, portanto, são eles que devem comandar a escola e o ensino, bravejam, embora isto não impeça o monarca de prosseguir os seus planos. O péssimo ambiente acentua-se em 1826, por ocasião da inauguração da Academia, quando, a pedido do barão de São Lourenço, D. Pedro I nomeia como diretor da escola o odiado português Henrique José da Silva - homem de caráter medíocre e feroz opositor dos franceses - é, surpreendentemente, nomeado por D. Pedro I para Diretor da Instituição, preterindo Lebreton, o líder dos franceses, para grande desilusão destes. A situação se agravaria com a substituição do francês Pedro Dillon pelo padre português Luís Rafael Soyé, "velho eclesiástico espanhol, de origem francesa, sem honorabilidade nem compostura, poeta de água doce e parasita do ministro Targini, que se oferece para trabalhar pela metade do preço", como afirmaria Afonso de Taunay em seu A Missão, anos mais tarde. Os portugueses passam a perseguir os franceses, tentando desacreditá-los, e pressionando a Corte contra seu apadrinhamento. A partir daí, Jean-Baptiste Debret, professor da Academia, é "agraciado" com bizarrias e rugas por parte de Henrique José da Silva que, redobrando a intensidade de seu despeito, inferniza a vida do mestre: nega-lhe salas para suas aulas e concede pouco tempo para as mesmas, obrigando os alunos a estudos imperfeitos, entre outras indecências. Os discípulos do artista francês rebelam-se contra esses desmandos, reúnem-se e deliberam enviar ao Imperador, como seu representante, o companheiro Manuel de Araújo Porto-Alegre com suas reclamações. Um dia, Pedro I descavalga à porta da Academia. Há um rebuliço no edifício: O Imperador está no átrio! grita alguém. Ouve-se o tinir de suas esporas e o som de seus passos. O diretor apressa-se em vir recebê-lo, todo cheio de mesuras, ostentando um sorriso amarelo e um seboso servilismo nos lábios secos: Imperial Senhor... Nada de Imperial Senhor!, diz-lhe furioso D. Pedro, com a arrogância espanhola que o caracterizava. O diretor empalidece. Vim aqui saber de umas arbitrariedades que o senhor comete. Eu, Imperial Se... Sim. E quem há de ser?... Doravante ordeno-lhe que respeite os pedidos de M. Debret. O diretor está atônito. D. Pedro afasta-se, deixando-o sumido na vergonha porque acabava de passar. Ainda assim o ânimo não se desvanece. Atrevido, Henrique José da Silva passa a opor-se formalmente às exposições: para realizar a de 1829, Porto-Alegre vai entender-se com José Clemente Pereira e, para apresentar a de 1830, é necessária a intervenção do Conselheiro Maia. Era, realmente, um grande cretino...