Login
E-mail:
Senha:
SERVIÇOS
Artistas
Críticos & Curadores
Como se Catalogar
Declaração de Vendas
Espaços
Exposições On-Line
Nova Orientação do Site
Contato
 
CULTURAL
Broncas
Indiscrições
Julio Louzada - Artes Plásticas Brasil
Suspensão do Prêmio Viagem ao Exterior de 1887

"O Sr. ministro do Império mandou adiar para ocasião oportuna o concurso de viagem que, neste ano, devia realizar-se na Academia de Belas-Artes. E isto por uma razão sumamente importante, irrespondível: falta de verba! A falta de verba é a terrível hidra, sempre supliciada pela retórica parlamentar e sempre ressuscitada, que ocasiona os grandes pesadelos ministeriais. Uma vez despertada a hidra cessa tudo quanto a antiga musa canta. Ainda bem. Iníquo foi, e seria pueril se o explanasse, o nosso primeiro intento. Desejamos folhear atentamente os relatórios do ministério do Império, tomar a soma da verba votada para a Academia de Belas-Artes, compará-la com os gastos feitos por essa reumática instituição, esmiuçar cifra por cifra em todas as despesas para, triunfantemente, mostrar a S. Ex., o Sr. ministro, que a medonha hidra tinha a cabeça de papelão pintado. Hidra de teatro. Fingimentos e mais nada. Raciocínio de peso, pela intensidade de lógica que em si contém, ocorreu-nos em momento propício. Qual o resultado que poderíamos obter desse penoso trabalho? Convenceríamos S. Ex. da falsidade da sua hidra? Conseguiríamos revogar o aviso? Não. Positivamente, não. A muito custo, talvez, lançaríamos um protesto contra o supracitado aviso, demonstrando, em frase pálida, difusa e coxa, já se vê, quanto se tem feito em semelhantes crises, a bem de privilegiados entes caídos do céu por descuido. Mas empresa enganadora seria esta porque da pena cairiam respingos sobre os sempre bem-aventurados entes que Deus enviou ao mundo para eterno suplício dos infelizes. Chama-se a isto desipere in loco. Portanto, rendendo graças aos deuses de terem por mim zelado, impedindo-me o passo para o negro abismo (estilo parlamentar, extra) aqui deixo estas rápidas linhas como prova de muita boa vontade em servir os Srs. concorrentes, e também como prova de grande entendimento das irrevogabilidades dos avisos ministeriais. Desculpem-me a imodéstia" (Gonzaga Duque, em texto assinado Alfredo Palheta [pseudônimo do crítico], n'A Semana de 28/05/1887, Rio).

 
   
Copyright © Maria Alice & Julio Louzada - Todos os direitos reservados