Em 1900, Eliseu Visconti retorna ao Brasil e já em 1901, organiza individual de apresentação na Escola Nacional de Belas-Artes. Na verdade são duas exposições: na primeira reúne dez trabalhos com temas de história e uma cópia em tamanho natural de As Lanças, de Velázquez. Na segunda, pela primeira vez no Brasil, são apresentados 28 trabalhos relativos às artes plásticas aplicadas à indústria, como selos, esmalte cloisonné, objetos em ferro, papel de parede, vitrais, estamparia de tecidos, luminárias, cerâmica, marchetaria e outras, considerada a primeira mostra de desenho industrial do país. O catálogo da exposição, em estilo art nouveau, é desenhado pelo próprio Visconti, que também o intitula: Escola Nacional de Belas-Artes. Exposição de E. Visconti - Pintura e Arte Decorativa. O artista explica que o objetivo da exposição é mostrar que o design voltado para a Arte Decorativa é assunto da maior relevância para o desenvolvimento industrial no país. Submetida, entretanto, a um meio ambiente inculto e estacionado, ninguém sequer percebe a avançada opção do artista. A dois de julho desse ano, Gonzaga Duque traduz o "quase silêncio" que cercou a exposição "[...] das mais completas, das mais importantes exposições de arte aqui franqueada ao público [apesar de que] a hora é das piores. O dinheiro escasseia às bolsas mais volumosas, a existência tornou-se penosa aos melhores aquinhoados da sorte". Anos mais tarde, Visconti se queixaria a Angione Costa: "Quando regressei da Europa, como pensionista dos cofres públicos, fiz uma exposição de Arte Aplicada, na certeza de que a arte decorativa era o melhor elemento para caracterizar [um avanço na] indústria artística do país. Olharam-na como novidade, nada mais. Cheguei a fazer cerâmica à mão, para ver se atraía a atenção das escolas, das oficinas, do governo. Tudo perdido. Ninguém notou o esforço. Em nossa terra não existe, ainda, preocupação pela arte...". Em agosto de 2005, o desinteresse ainda é o mesmo...