Psicologia das Multidões
Flávio de Carvalho buscaria, ao longo de toda sua vida, estabelecer formas de alcançar novos meios de expressão, sendo um dos precursores, na longínqua década dos 1930, da performance, do happening e de outras manifestações artísticas que somente seriam praticadas a partir dos anos 1970-1980. Assim, a sisuda São Paulo de 1956, testemunharia, chocada e boquiaberta, a controvertida performance Experiência Nº 3, do artista plástico e arquiteto Flávio de Carvalho: consiste no artista passeando a pé pelo Viaduto do Chá e pela rua Barão de Itapetininga, onde mantinha escritório de arquitetura, no Centro Novo de São Paulo, trajando um saiote com pregas, blusa de organdi com mangas bufante, meia arrastão e sandálias, conjunto para homens por ele idealizado e denominado Traje Tropical. A população da cidade o segue na esteira do seu caminhar, como comprovam as fotos nas primeiras páginas dos mais importantes jornais da época. O evento deixa a sociedade paulistana desfalecida, sob sais, e merece ser tema de um estudo sociológico de Gilberto Freyre, apresentado no Seminário de Tropicologia da Universidade Federal de Pernambuco, com presença do polêmico artista.